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  • Jefferson Negreiros

Por que o ser humano é frágil?

Atualizado: 22 de Nov de 2018

Entenda como alguns sentimentos podem ser difíceis e fazem parte da existência dos ser humano. Não! Não seremos sempre forte!


O homem é aquele que compreende sua existência. Sendo o que ele de fato é, desenvolvendo seu papel como ser humano, como cidadão, como pai, mãe, filho, esposo/esposa, profissional e assim por diante) um ser de possibilidades e aberto para as experiências.


O único que sabe de sua finitude (sabes que sua vida vai acabar e é então um ser mortal) diferente dos animais, por exemplo, o homem nasce e convive com seu-ser-para-a-morte. Mas o que é isto (ser-para-a-morte)? É a certeza que todos sabemos que um dia nosso corpo padecerá.


Então nesta condição que nos dá alguns significados e sentidos, quando nos deparamos com essa questão, surgem dois sentimentos inerentes à nossa existência: a Angustia e a Culpa.


“Cada angustia humana tem um de que, do qual ela tem medo, e um pelo que, pelo qual ela teme”. (SODELLI, 2010)


A Angústia

Sendo como aquela inerente à possibilidade de alcançar um objetivo e algo, e a de não ser capaz de realizá-las. Você se vê incapaz de alcançar algum objetivo na sua vida! E então surge esse sentimento de angustia.


A culpa, é a consciência de que o homem está sempre se avaliando, buscando algo, vivendo e experienciando sua existência, deve-se dar conta do seu existir, lançado no mundo não apenas para cumprir algo e sim se responsabilizando no seu estar-consigo-mesmo e com-os-outros. Deve sempre escolher um modo de ser, mas às vezes podemos falhar nessa escolha, e ai entra o sentimento de culpa, o de não alcançar as potencialidades das escolhas. Por exemplo, você projeta sua vida para alcançar algo, como se formar em um curso da faculdade, e com o passar do tempo, não consegue estudar o que de fato queria, toma outros caminhos no intuito de estar mais próximo da sua profissão desejada, se forma, mas quando acaba nota que não tomou as atitudes exatas. Percebe que conseguiu planejar, mas falhou na execução? Vou tentar ser mais específico!


Um indivíduo que sonha em cursar medicina, já tentou vestibulares, concursos de bolsa, e nada funciona, então surge a ideia de cursar enfermagem (um curso mais acessível e estará próximo da área profissional que deseja), e muitas vezes esta ideia chegou até o indivíduo por sugestões de outros. Então cursou enfermagem e quando se formou se deparou com este sentimento de culpa, por não ter feito medicina. Agora compreende o que quis dizer?  

Veja que estes dois sentimentos estão tão presentes nas nossas vidas? O da angustia por não conseguir o que quer de fato e o da culpa, por tomar atitudes que os leva a caminhos que não queria! Fazendo cada um passar por esses sentimentos, mas perceba que sempre tropeçaremos, levantamos e voltamos a caminhar, isso faz parte da existência.

    Outra questão importante aqui citar é como somos influenciados pelos outros, pelas opiniões, pela sociedade, pela cultura. Nesta ilustração que citei, onde na escolha do curso, o individuo optou por fazer enfermagem ao invés de medicina porque não encontrou escolha! O que chamamos de impróprio/impessoal.

O ser humano muitas vezes acaba tomando atitudes que não são feitas por ele! Mas como assim? O homem é livre, livre para realizar suas opções, tomar suas próprias decisões, não nasce pré-determinado e sim como poder-ser (é capaz de ter autonomia nas suas escolhas, existe várias e infinitas possibilidades), é um ser aberto em sua totalidade (o homem é total, sempre com novas percepções, não é como um objeto, que só possui uma possibilidade ou objetivo, se assim posso dizer).

Não basta somente existir, é o dar conta de um mundo com diversas complexidades, possibilidades, gostos, medos, cheiros e sensações.


O homem olha para seu futuro e cuida dele para tentar alcançar na sua totalidade. (Sipahi, 2001)

A impropriedade nos livra da tarefa de ser e de compreender o sentido de ser (alívio da tarefa de ser e pode-ser). O Homem, muitas vezes, se refugia na impropriedade, pois a tarefa de ter que ser é aliviada, uma vez que ser si mesmo próprio exige um recorte próprio para sua existência, implicando necessariamente em escolha e apropriação de sentidos. (Sodelli, 2011)

Ou seja, muitas vezes optamos viver de modo impróprio, para nos livrarmos do fardo pesado da vida, “ir junto com o rebanho”, tomamos atitudes sem pensar se realmente é o que queremos, a sociedade diz que é o melhor caminho, então vamos junto com ela! Mas não é uma coisa ruim viver na impropriedade, todos os seres humanos em algum momento da vida já tomou alguma atitude na vida sem pensar se é o que realmente quer não é mesmo? Fazer esse tipo de escolha impróprio, às vezes se torna mais leve porque tiramos a própria responsabilidade consigo mesmo. E mais uma vez cito aqui, os sentimentos que deparamos que são a angustia e culpa. Então caro leitor percebe agora um dos motivos da nossa fragilidade?

Referências

FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Psicologia Fenomenológica Fundamentos, métodos e pesquisa.  Ed. 1 de. 1993. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

SODELLI, Marcelo. A abordagem proibicionista em descon        strução: compreensão fenomenológica existencial do uso de drogas. Rev.Ciencia e Saúde coletiva, vol.15, no.3, Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232010000300005&lng=pt&nrm=iso

SENA, E.S.;BOERY, R.N.S.O; CARVALHO, P.A.; REIS, H.F.T.; MARQUES, A.M.N. Alcoolismo no contexto familiar: Um olhar fenomenológico. Texto Contexto Enferm, vol. 22, no. 2, Florianópolis, 2011. Disponível em:  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072011000200013

SIPAHI, Fabiano Matos; VIANNA, Fernanda de camargo. Uma análise da dependência de drogas numa perspectiva fenomenológica existencial. Análise psicológica. 2001, volume 4: 503 – 507. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312001000400002. .

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